Inspiração do ensaio com a Aline Grein

Para nós o renascimento é um movimento artístico que se aproxima da realidade da arte fotográfica, pois ele se preocupa com o realismo. Nele as figuras eram dispostas numa composição estritamente simétrica, a variação de cores frias e quentes e o manejo da luz permitiram criar distâncias e volumes que pareciam ser copiados da realidade.

A fotografia, em essência, se inspira muito nesse estilo, principalmente em regras de composição. Por isso, todas as nossas fotografias acabam, de certa forma, tendo estes traços. Mas resolvemos modestamente fazer um ensaio de ligação um pouco mais direta, que realmente fizessem as pessoas lembrarem das pinturas quando olhassem as fotos.

Seria muita pretensão querer recriar uma pintura com fotografia, afinal as pinturas eram perfeitas e extremamente estudadas durante o processo de criação. Por mais complexa que a realidade seja, nunca conseguiria chegar à genialidade daqueles artistas.

Nós fizemos uma pesquisa intensa de várias obras do estilo Renascentista e Barroco. As imagens a seguir são exemplos que nos ajudaram a criar a identidade do ensaio:

“Vênus Adormecida” (Vênus de Dresden), Giorgione, c. 1510

The Nymphaeum de Adolphe Bouguereau, 1878.

Echo de Alexandre Cabanel, 1887.

Algumas características que observamos nessa pesquisa que utilizamos nas fotografias são as seguintes:

- Buscamos um cenário simples, fundo escuro e ausência de história;

- As poses da modelo são mais relaxadas, com um toque de inocência onde ela demonstra não ter a consciência de ser observada;

- Também usamos em várias poses os olhos fechados, para que a modelo tivesse menos personalidade na sua expressão, fazendo com que esta ficasse mais vaga;

Tivemos a sorte de encontrar a modelo perfeita para essas fotos. No momento da entrevista, surgiu a idéia instantaneamente. Primeiro porque o rosto da modelo passava o mesmo tipo de expressâo das pinturas, ela também tem um cabelo muito comprido e ruivo.. não há como não traçar um paralelo entre ele e o da pintura “O Nascimento de Vênus”

O Nascimento de Vénus de Sandro Botticelli, 1483.

A reação da modelo foi muito boa em relação à idéia, o padrão de beleza não era tão esguio como o de agora, mas ela não teve dúvidas de que a nudez parcial seria importante para a execução das fotografias, que estas seriam de extremo bom gosto artístico.

Essa foi a questão mais importante do ensaio inteiro, a modelo ter entendido e apoiado de coração o conceito das fotos. É claro que buscamos um cenário e uma situação de luz que ajudassem na atmosfera da cena, mas sem a ajuda da modelo isso não seria suficiente.

Gostaríamos muito de ter feito uma foto inspirada no nascimento da Vênus, mas o cenário com água e aberto traria uma dificuldade muito grande no controle da luz, por isso optamos em fazer as fotos em um pomar.

Primavera de Sandro Botticelli,1482.

O ambiente com pouca claridade trouxe o contraste ideal que lembra as tonalidades e cores das pinturas, pois como no projeto Fotografia Livre não se faz edições posteriores, essas questões deveriam ser muito bem analisadas previamente.

Tecnicamente este foi um dos ensaios mais complexos que fizemos, mas o resultado nos agradou bastante. Para nós, é inegável a referência renascentista ao olhar as fotografias prontas. Esperamos que o nosso público veja o ensaio da mesma forma.

Juliane Sarturi e sua mágica!

Logo que nos mudamos para Cascavel, há quase 4 anos atrás, fomos apresentar nossas fotos e trabalhos nas agencias de publicidade da região. Foi aí que conhecemos a Ju. Ela sempre acompanhou nosso trabalho, e na epoca até agendamos pra fazer um book dela, mas no fim nem fizemos.. não lembro porque.

O legal é que ela voltou e se inscreveu no Projeto.

A Ju sempre me impressionou com sua elegancia, seu jeito macio e delicado de falar e agir. Eu, Bruna, até me sinto meio menina perto dela haha com esse meu jeitão desastrado de ser :^}

Ela veio com a ideia da cartola e da magia e nós adicionamos os detalhesinhos

Aqui no vídeo vocês poderão ver como foi o ensaio dela:

E o resultado foi:

Revista28

Olá Pessoal!

Saiu mais uma Revista Bokeh.

Nessa edição você poderá ver mais dois ensaios fotográficos do Projeto Fotografia Livre - o ensaio da Aline Grein e o da Juliane Sarturi.

Veja também como tornar suas fotografias de natal mais interessantes.

e fique por dentro da novidade aqui do estúdio, os pequenos fóruns de fotografia!

 

Expedição Pantanal Sul

Olá pessoal, vou contar como foi a viagem até o Pantanal Sul para explorar a região do Morro do Azeite. A vontade de fazer esta expedição surgiu em uma viagem para a região que fiz com meu pai há alguns anos, ele foi para pescar e eu para fotografar, na época fiquei intrigado com o morro solitário na planície pantaneira.

Até tentei chegar lá, mas nenhum barqueiro quis me levar pois, segundo eles, o tal morro era a morada das onças. Para mim, só mais um motivo de interesse, hehe.

Mas daquela vez não consegui mesmo, então fiquei com isso na cabeça até esse ano, quando retornei a região mais ou menos na mesma época, para pegar também a florada do Ipê.

Desta vez, levei meu caiaque e nada ia me impedir de descer no Morro do Azeite que fica na margem do Rio Miranda.

Para racionalizar o equipamento, levei apenas a D700 com a 24mm para fotografar as paisagens e a 300mm para a vida selvagem. Além disso, tinha emprestado do meu irmão uma compacta a prova d’água para filmar, mas sua qualidade é bem sofrível, então consegui fazer poucas imagens boas com ela.

Fiquei acampado em um camping no Passo do Lontra, lá fiz várias fotos de pássaros, os cardeais e galos da campina são acostumados com o movimento das pessoas e se aproximam bastante, o que facilita tirar boas fotos.

Outro animal fácil de fotografar é o jacaré, tem muitos nos bancos de areia. A espécie comum da região não é agressiva e representa pouco perigo para as pessoas, se você chegar muito perto provavelmente levará um susto quando ele correr fugindo de você.

Fiz algumas fotos de um jacaré que deixou eu me aproximar bastante, ele ficou parado me olhando quando eu parei o caiaque em uma sombra para tomar água. Ficamos tão perto um do outro que o reflexo do caiaque ficou bem nítido no seu olho e mesmo quando remei para sair ele continuou lá de boa.

Depois de andar pela região, foi até o Morro do Azeite, ao desembarcar, comecei a ver dezenas de pegadas recentes de onça na margem do rio, sinal de que realmente existem onças no lugar, mas também me fez gelar a espinha. Não deixei isso me atrapalhar, continuei e entrei na mata bastante fechada e escura que circula o pé do morro.

O solo era coberto por uma espessa camada de folhas secas e galhos que estalavam a cada passo, mesmo um grilo pulando fazia um barulho assustador, meu coração estava a mil. Atento a tudo eu olhava em todas as direções na expectativa de que algo acontecesse, mas nada aconteceu.

Este trajeto de mais ou menos 200 metros entre o rio e o início da subida do morro foi apavorante, mas segui em frente. Chegando na base do morro a vegetação se abriu, lá a paisagem era dominada por Ipês retorcidos de galhos secos, a visão era ampla e isso me tranquilizou, pois seria mais improvável ser surpreendido por uma onça.

Logo que comecei a subida já matei um dos objetivos da expedição, que era definir a geologia do morro. Isso foi fácil, o morro todo é um grande afloramento, ele é formado por quartzo hidrotermal e não encontrei restos da rocha encaixante. Também não encontrei nenhum vestígio de nada economicamente explorável, isso é uma apólice de seguro contra a degradação e ajudou a preservar a natureza do morro.

Encontrei vários bugios durante a subida, um deles parecia fazer pose para as fotos. Chegando no topo do morro encontrei vários urubus esquentando suas asas ao sol, eles pareciam estar pensando: Você não deveria estar aqui, nos vemos mais tarde…

A paisagem é inigualável, tudo é muito seco devido a falta de solo, as árvores crescem diretamente sobre o quartzo. Do alto, a visão da planície pantaneira transcende o horizonte e parece emendar gradualmente céu e terra.

Não existem trilhas nesse morro, então na descida acabei indo por um caminho um pouco diferente e chegando novamente a mata fechada da base comecei a sentir um cheiro forte, como de um zoológico, logo percebi que estava na área onde a onça se alimenta e dorme. O chão era totalmente pisoteado por ela, os troncos das arvores tinham marcas de arranhado, mais uma vez o sangue gelou e a adrenalina aguçou meus sentidos, preparei a câmera e comecei a andar em direção ao rio, o risco de dar de cara com a onça era iminente, mas nada aconteceu.

No outro dia, mudei minha tática, como já havia subido o morro e conhecido sua geologia, agora só me faltava a foto da onça, por isso fiquei dentro do caiaque do outro lado do rio. Cheguei lá bem cedo, antes do sol nascer e fiquei de prontidão esperando que ela viesse a margem beber água, mas nada aconteceu.

Até que por volta das 10 horas da manhã um grande estardalhaço começou, macacos e pássaros gritavam, logo um pequeno cervo surge na margem apavorado e num relance volta para a mata, em seguida ouvi nitidamente um rugido da onça, mas ela não chega na margem e logo o ambiente volta ao normal e me dou por vencido, a melhor oportunidade havia passado e não fazia mais sentido ficar ali esperando.

Parti então para outro rio, menor que o Miranda, lá fiz umas boas fotos de uma ariranha abocanhando um peixe. A água desse rio era um espelho, foi muito gostoso remar nele, mas seus habitantes eram muito ariscos, o encontro com a ariranha rendeu a melhor sequência de fotos nele.

Dos meus objetivos, já havia alcançado um e desistido do outro, restava fotografar na mata de Ipê. Com poucos metros dentro da mata composta só por Ipês me senti inserido em um ambiente mágico, a vegetação estava bem seca, com cor de palha ou cinza, na paisagem se destacava o vivo amarelo das flores em contraste com o céu azul. Caminhei entre as árvores buscando composições mais estéticas e fiz várias fotos boas.

O pantanal é um lugar incrível, todos deveriam conhecer, não recomendo a qualquer um, aventurar-se tanto quanto eu, é preciso experiência e preparo para não se meter em problemas. Mas para as pessoas em geral, o pantanal oferece uma boa estrutura turística, com pousadas que costumam oferecer passeios de barco, a cavalo e guias que te acompanharão para que você conheça o que de fato é a natureza deste lugar.

Espero que gostem das fotos e até a próxima expedição!

Aline Grein e o renascentismo

Olá Pessoal!

Sábado fizemos mais fotos para o Projeto Fotografia Livre

Desta vez a participante foi a Aline Grein

Quando a vimos chegando aqui no estúdio para a entrevista, na hora já surgiu a idéia de fazer imagens lembrando as pinturas renascentistas. Ainda mais com esse cabelão ruivo mega comprido !

Dessa vez vamos mudar um pouquinho a ordem das coisas,

vamos mostrar primeiro o vídeo de como foi o ensaio:

http://vimeo.com/33277500

esperamos que estejam gostando!

Pequeno Fórum de fotografia

 

Fóruns são espaços para a discussão de vários assuntos. Têm muitos fóruns de fotografia virtuais, mas dificilmente temos espaços físicos do tipo para conversar. Por isso, resolvemos abrir o nosso estúdio como um espaço para a evolução de um fórum sobre fotografia.
Esse fórum substitui os cursos que costumávamos oferecer e abre oportunidade para a participação de todos os públicos.
O método para desenvolvimento deste fórum será o seguinte:
As pessoas deverão confirmar sua presença no e-mail forum@bokeh.com.br, neste e-mail a pessoa poderá sugerir um tópico que será compartilhado com todos os participantes no dia do encontro.
Este tópico pode ser uma pergunta, pode ser uma sugestão de assunto, pode ser um compartilhamento de trabalho próprio ou de terceiros. Ou seja, qualquer coisa relacionada à fotografia.
DIA 17/12/11 -  as 13:30  - aqui no estúdio

Any colors you like

Vamos ver, por onde começo a falar…

Quando lembro deste ensaio fotográfico tudo que vem à minha mente é muita risada, muita meleca e um nervosismo gostoso.

Roberta Fettback e Jhivan Cremonesi

Eles vieram com a ideia e a vontade e nós abraçamos a causa com toda a força e com o balde de tinta na mão haha

A princípio eu (Bruna) estava bem nervosa, pois uma vez que a tinta é jogada, já era.. não tem como juntar a tinta e fazer a foto novamente.. não é mesmo?

Eles fizeram uma mistura de água, farinha, glucose e o pigmento, assim a tinta sairia fácil da pele e não seria tóxica.

Cuidamos a ordem de cores a serem jogadas para que a combinação ficasse perfeita.

“(..)fotos a tarde (mais ou menos uma hora), tirando as tintas do corpo (mais ou menos umas 3 horas, e ainda esta saindo alguma coisa do meu olho…) (…)” Jhivan

Até mais,

Bruna

o carro mais vendido no mundo

Sempre que entrevistamos os participantes do Projeto Fotografia Livre perguntamos do que ele gosta, assim podemos combinar nossas vontades artísticas com o gosto pessoal de cada pessoa.

Muitos não sabem, temos que perguntar o que a pessoa faz nos finais de semana, quais filmes assiste, que música gosta, e assim vai…

mas a Aline Strotkamp sabia muito bem qual era a paixão que ela desejava mostrar nas fotos:

O seu estimado fusquinha amarelo de vidros pretos!

Ela deu a ideia do fusquinha e nós acrescentamos nossa vontade de fotografá-lo aqui no estúdio. Adicionamos  a roupa de piloto e o lindo capacete antigo (dela também).

Estas fotos foram bem  marcantes para nós, pois foi a primeira vez que colocamos um carro aqui dentro.

Quando construimos o nosso estúdio/casa fizemos tudo pensando na entrada de automoveis e talvez até caminhões pequenos para trazer partes de cenários.

deu tudo certo, como planejado.